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Existe inflação de rating no xadrez?

Contamos catorze anos de listas da FIDE em vez de citar alguém. Os ratings não estão inflando. Estão desinflando de leve.

A queixa é antiga e específica: um 2000 de hoje não é o que um 2000 já foi, os ratings sobem à deriva e os títulos ficam mais baratos. O jeito óbvio de conferir é a tabela abaixo — a FIDE publica todas as suas listas mensais antigas, então baixamos cada janeiro desde 2013 e contamos os jogadores ativos. A mediana do conjunto cai, de 1904 para 1711. Parece uma resposta e não é, porque o próprio conjunto mais que dobrou nos mesmos anos, de 90.783 jogadores ativos para 211.925. Jogadores novos chegam fracos e puxam o meio para baixo, aconteça o que acontecer com quem já tem rating. Uma mediana que cai enquanto todo mundo ganha pontos é perfeitamente possível, e o contrário também. Essa tabela não resolve a discussão, e nenhuma versão dela resolve.

O conjunto padrão da FIDE, todo janeiro
Janeiro Jogadores ativos Rating mediano Média do top 100 Com 2700 ou mais
2013 90.783 1.904 2.702 48
2014 101.330 1.873 2.704 50
2015 114.178 1.822 2.703 45
2016 134.689 1.770 2.702 42
2017 152.748 1.722 2.705 44
2018 161.955 1.692 2.704 42
2019 167.608 1.663 2.703 41
2020 173.542 1.636 2.699 37
2021 188.388 1.625 2.699 37
2022 149.377 1.643 2.697 38
2023 151.718 1.613 2.697 40
2024 174.450 1.572 2.693 36
2025 194.644 1.722 2.688 30
2026 211.925 1.711 2.682 33

Então fizemos outra pergunta: o que aconteceu com as mesmas pessoas? Cada jogador carrega um ID FIDE que nunca muda, então um jogador da lista de janeiro de 2025 pode ser pareado com o mesmo jogador em janeiro de 2026 e a diferença lida direto. Ninguém entra, ninguém sai, e o problema de composição some por construção. Ao longo de dez anos aproveitáveis, o jogador mediano perde três pontos de rating por ano. Não ganha: perde. E o motivo para confiar nisso está na segunda tabela: o movimento não é igual em todas as idades. Menores de 18 ganham 29 pontos num ano típico, que é exatamente a cara de estar melhorando. Toda faixa adulta perde, e a perda cresce com a idade até que os acima de 50 entreguem onze pontos por ano. Os pontos fluem dos adultos para os jovens, porque são os jovens que estão melhorando e o conjunto é quase de soma zero. Essa é a forma de uma deflação leve, e não há leitura em que o sistema distribua pontos que não tirou de algum lugar.

Os mesmos jogadores um ano depois — típico de 10 anos medidos
Idade Variação mediana do rating
Menos de 18 +29
De 18 a 29 +5
De 30 a 39 -4
De 40 a 49 -6
50 ou mais -11

Cada número é a mediana de 10 medições ano a ano, todas feitas pareando IDs da FIDE entre duas listas de janeiro. Três anos foram excluídos, e aqui está o porquê. Em ⁦2020–2021⁩, 45,4% dos jogadores pareados tinham rating idêntico um ano depois — contra cerca de 1% num ano normal. Não estavam estáveis: não estavam jogando, porque o xadrez de tabuleiro havia parado. Em ⁦2021–2022⁩, 35,4% dos jogadores pareados tinham rating idêntico um ano depois — contra cerca de 1% num ano normal. Não estavam estáveis: não estavam jogando, porque o xadrez de tabuleiro havia parado. Em ⁦2024–2025⁩ a mediana se moveu 155 pontos em um ano, e o movimento foi de +367 na base da escala a -7 no topo. Jogar partidas não produz um gradiente assim; uma mudança de regra produz.

Duas coisas que isso não consegue dizer. Não diz se os jogadores estão genuinamente mais fortes do que eram — um rating só mede você contra as pessoas com quem você jogou, então um conjunto que melhora de forma uniforme não mostra absolutamente nada, e a era das engines e dos bancos de dados plausivelmente fez exatamente isso. E não diz nada sobre ratings online, que são uma escala completamente diferente em cada site; se o seu número do Chess.com e o seu número FIDE discordam, isso não é inflação, são duas réguas diferentes. O que ele diz é que o medo específico — de que os ratings FIDE inflem, de que o número fique mais fácil de sustentar com o tempo — está de cabeça para baixo. As colunas da elite dizem isso do jeito mais direto: 48 jogadores tinham 2700 ou mais em 2013, hoje são 33, e os cem primeiros têm média 20 pontos menor do que catorze anos atrás.

Perguntas frequentes

Então um 2000 de hoje é o mesmo que um 2000 de 2013?

Um pouco mais difícil de sustentar, por esta medição. Um jogador de 2000 na casa dos trinta perde cerca de quatro pontos por ano para o conjunto sem jogar pior, então manter o número por uma década significa ir melhorando devagar. É o oposto de inflação, embora seja um efeito pequeno — ninguém foi roubado.

Então por que todo mundo diz que há mais 2700 do que nunca?

Porque isso foi verdade por um longo trecho antes desta janela. Nos catorze anos que medimos, a conta foi ao contrário: 48 jogadores com 2700 ou mais em 2013, 33 hoje, e os cem primeiros com média 2682 contra 2702. Um argumento que estava certo em 2005 segue sendo repetido em 2026 sem ninguém reconferir.

Por que descartar três dos catorze anos?

Porque dois deles medem uma pandemia e um mede uma mudança de regra, e quem diz isso são os dados, não nós. Nos dois anos de pandemia excluídos, 45% e 35% dos jogadores pareados tinham rating idêntico doze meses depois; qualquer ano normal fica perto de 1%. O terceiro ano moveu todo mundo em +155 na mediana, num gradiente que vai da base ao topo da escala. Nenhum dos três mede ratings derivando pelo jogo, que é a única coisa que este artigo afirma medir.

Contado a partir das próprias listas padrão publicadas pela FIDE, todo janeiro de 2013 a 2026, somente jogadores ativos. Os números ano a ano pareiam jogadores por ID da FIDE entre listas consecutivas. Medido em 2026-08-02; nenhum jogador, ID ou ano de nascimento é publicado — apenas contagens e medianas.